Para
conhecer a história da cachaça é necessário
voltar ao início do século XV. Os portugueses tinham
conhecido a cana de açúcar durante suas viagens à Ásia
e não tardaram em levar algumas mudas para a ilha da Madeira,
para, mais adiante, levar a cana para novas terras descobertas
no Ocidente.
Muito em breve a cana de açúcar se tornou para os países
europeus um dos negócios mais lucrativos em terras americanas, dada a
crescente demanda por este produto no Velho Mundo para usos gastronômicos. Mas
o Rei Açúcar exigia cada vez mais terras e
sacrifícios humanos. Milhares de hectares de matas foram
destruídos e como a mão-de-obra indígena
não era suficiente para assegurar a produção,
milhares de africanos acabaram embarcados rumo à América
para que servissem de mão-de-obra escrava nos canaviais.
Graças ao suor e ao sangue destes trabalhadores negros,
a nobreza européia podia levar uma vida que, além
de confortável, era cada vez mais doce.
Nos
engenhos onde se obtinha o açúcar, o caldo
da cana era depurado em uma enorme caldeira em fogo brando. A
espuma formada pelos resíduos da planta era usada como
alimento para os animais. Era a cachaça.
Só a partir do século XVI, a cachaça, da
mesma forma que se fazia com os restos da fermentação
do suco da uva, começou a ser destilada com a ajuda de
um alambique. Seu primeiro nome foi aguardente de cana e ela
era dada aos escravos junto com a primeira refeição
do dia para que pudessem suportar melhor o trabalho nos canaviais.
Com
o passar do tempo, o processo para a obtenção
deste aguardente foi melhorando, assim como sua qualidade. Seu
consumo cresceu de maneira tão rápida que a Coroa
Portuguesa viu perigar a venda de seu aguardente nacional, a "bagaceira",
para as colônias. Em 1635, a metrópole acabou proibindo
a venda de cachaça no estado da Bahia e, quatro anos depois,
tentou proibir sua fabricação. No entanto, a cachaça
já tinha se tornada a bebida preferida da enorme colônia
americana.
Fonte: EFE
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